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Epicondilite Lateral em Atletas de Tênis: Como a Fisioterapia Pode Acelerar a Recuperação

A epicondilite lateral, conhecida popularmente como cotovelo de tenista, é uma das lesões mais comuns em atletas de tênis e praticantes de esportes de raquete. Caracteriza-se por dor na região lateral do cotovelo, causada principalmente por sobrecarga repetitiva dos músculos extensores do punho.

Apesar do nome, a epicondilite lateral não afeta apenas tenistas profissionais. Jogadores amadores, atletas recreativos e até pessoas que realizam movimentos repetitivos no trabalho podem desenvolver a condição. No entanto, no tênis, a incidência é significativamente maior devido à repetição de golpes como o backhand, que exige forte ativação da musculatura extensora do antebraço.

O que é Epicondilite Lateral?

A epicondilite lateral é uma tendinopatia degenerativa que acomete principalmente o tendão do músculo extensor radial curto do carpo, na sua inserção no epicôndilo lateral do úmero. Estudos demonstram que o processo é predominantemente degenerativo, e não inflamatório, envolvendo desorganização das fibras de colágeno e neovascularização.

De acordo com revisão publicada no PubMed (PMID: 17616547):
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17616547/

A prevalência na população geral varia entre 1% e 3%, podendo ser maior em indivíduos expostos a sobrecarga repetitiva do membro superior — como atletas de tênis.

Por que o Tênis Favorece o Cotovelo de Tenista?

No tênis, diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da epicondilite lateral:

  • Técnica inadequada no backhand
  • Aumento abrupto da carga de treino
  • Raquete muito pesada ou com encordoamento rígido
  • Grip inadequado
  • Fraqueza muscular no antebraço e no ombro

A sobrecarga repetida gera microlesões no tendão. Quando o processo de recuperação não acompanha a demanda, ocorre degeneração tecidual e dor persistente.

Principais Sintomas da Epicondilite Lateral

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor na parte externa do cotovelo
  • Dor ao apertar a mão ou segurar objetos
  • Diminuição da força de preensão
  • Desconforto ao realizar extensão de punho contra resistência

Em atletas de tênis, a dor costuma piorar durante os golpes e pode limitar significativamente o desempenho esportivo.

Diagnóstico da Dor no Cotovelo

O diagnóstico da epicondilite lateral é predominantemente clínico, baseado na história do atleta e em testes específicos de provocação. Exames de imagem como ultrassonografia e ressonância magnética podem auxiliar em casos persistentes ou para descartar outras patologias.

Uma revisão sistemática disponível no PubMed reforça a importância da abordagem conservadora inicial (PMID: 12693613):
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12693613/

Tratamento para Epicondilite Lateral em Atletas

O tratamento para epicondilite lateral deve ser individualizado, principalmente em atletas que desejam retorno rápido e seguro ao esporte.

As principais abordagens incluem:

1. Modificação de carga

Redução temporária do volume e intensidade dos treinos.

2. Correção biomecânica

Ajustes na técnica do golpe e no equipamento.

3. Fisioterapia especializada

A fisioterapia esportiva é considerada um dos pilares no tratamento da epicondilite lateral. Protocolos baseados em evidência científica mostram que exercícios terapêuticos específicos promovem melhora significativa da dor e da função.

Uma revisão recente no PubMed (PMID: 34397403) demonstra que exercícios excêntricos e programas progressivos de fortalecimento apresentam forte evidência de eficácia:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34397403/

O Papel da Fisioterapia na Recuperação do Cotovelo de Tenista

A fisioterapia no tratamento da epicondilite lateral vai além do controle da dor. O foco é restaurar a função completa do membro superior, melhorar a performance e prevenir recidivas.

Entre as estratégias utilizadas estão:

  • Exercícios excêntricos para extensores de punho
  • Fortalecimento global do membro superior
  • Terapia manual
  • Recursos eletrotermofototerapêuticos
  • Treinamento funcional específico para o tênis
  • Reeducação da carga esportiva

A progressão adequada do tratamento é fundamental para evitar cronificação da dor no cotovelo e afastamento prolongado das quadras.

Quanto Tempo Dura a Recuperação?

O tempo de recuperação varia de acordo com:

  • Tempo de evolução da lesão
  • Grau de degeneração tendínea
  • Adesão ao tratamento
  • Controle de carga esportiva

Com fisioterapia adequada e abordagem baseada em evidências, muitos atletas conseguem retorno gradual ao esporte em poucas semanas. Casos mais crônicos podem demandar alguns meses de acompanhamento estruturado.

Prevenção da Epicondilite Lateral

Para atletas de tênis, a prevenção envolve:

  • Treinamento de força regular
  • Ajuste correto da raquete
  • Técnica adequada no backhand
  • Controle do volume de treino
  • Acompanhamento preventivo com fisioterapia esportiva

A prevenção é essencial, especialmente para quem já apresentou episódios anteriores de dor no cotovelo.

Fisioterapia na Barra da Tijuca para Epicondilite Lateral

Se você pratica tênis e está sentindo dor no cotovelo, quanto antes iniciar o tratamento para epicondilite lateral, melhores são as chances de recuperação rápida e completa.

Aqui na clínica Eccentric Sports Science, o acompanhamento permite uma avaliação detalhada da sua mecânica de movimento, da carga de treino e das possíveis causas da sua dor. O objetivo não é apenas aliviar os sintomas, mas tratar a raiz do problema e ajudar você a voltar às quadras com segurança.

Se você busca fisioterapia na Barra da Tijuca com foco em lesões esportivas como epicondilite lateral, contar com uma clínica especializada em fisioterapia esportiva faz toda a diferença no seu retorno ao esporte.

Agende sua avaliação e descubra como a fisioterapia pode ajudar você a tratar a epicondilite lateral de forma segura, eficaz e baseada em evidência científica.

Dor no ombro? Lesão do manguito rotador: causas, sintomas e tratamento.

A lesão do manguito rotador é uma das causas mais comuns de dor no ombro e pode afetar tanto praticantes de atividade física quanto pessoas que realizam movimentos repetitivos no dia a dia. Se você sente dor ao levantar o braço, dificuldade para dormir sobre o ombro ou percebe fraqueza ao carregar objetos, isso pode estar relacionado a essa estrutura.

O manguito rotador é formado por quatro músculos e seus tendões, responsáveis por estabilizar e mover o ombro. Quando algum deles sofre desgaste, inflamação ou ruptura, surgem dor e limitação funcional.

Pessoas que precisam de acompanhamento especializado encontram suporte individualizado na clínica de fisioterapia esportiva, ortorpédica e recovery Eccentric Sports Science, no shopping Downtown na barra da tijuca, que utiliza protocolos atualizados e baseados em evidências científicas.

O que causa a lesão do manguito rotador?

Existem duas origens principais:

1. Degeneração natural do tendão
Com o envelhecimento, os tendões do manguito rotador perdem elasticidade e resistência. Isso facilita o surgimento de microlesões e dores, mesmo sem um trauma evidente.

2. Sobrecarga ou trauma
Movimentos repetitivos acima da cabeça — comuns no vôlei, natação, tênis e musculação — podem levar ao desgaste progressivo. Quedas e impactos diretos também podem provocar rupturas.

Outros fatores de risco incluem diabetes, tabagismo, fraqueza muscular e histórico de atividades de alta demanda no ombro.

Tipos mais comuns de lesão

Tendinopatia:
Inflamação e desgaste do tendão, gerando dor principalmente ao levantar o braço. Não há rompimento completo.

Lesão parcial:
O tendão rompe parcialmente, causando dor e redução de força. Em muitos casos, responde bem à fisioterapia.

Ruptura completa:
O tendão se solta por inteiro de sua inserção. Geralmente causa perda importante de força e pode exigir cirurgia, dependendo da necessidade funcional do paciente.

Tendinite calcária:
Acúmulo de cálcio dentro do tendão. Pode provocar dor muito intensa em fases agudas.

Sinais e sintomas

Os sintomas variam, mas os mais frequentes são:

  • Dor na parte lateral ou anterior do ombro
  • Dor noturna, especialmente ao deitar sobre o ombro lesionado
  • Fraqueza ao levantar ou girar o braço
  • Limitação para alcançar objetos no alto
  • Estalos ou sensação de peso no ombro

Como é feito o diagnóstico

A avaliação começa com exame clínico: testes específicos identificam qual tendão está comprometido. Em seguida, exames de imagem — como ultrassom ou ressonância magnética — podem confirmar o tipo e a extensão da lesão.

É esse conjunto de informações que permite montar o melhor plano de tratamento para cada caso.

Tratamento: o que dizem as evidências

A maioria dos casos melhora com tratamento conservador, sendo a fisioterapia a principal forma de intervenção.

Fisioterapia

Pesquisas mostram que programas de exercícios direcionados são altamente eficazes para reduzir dor, melhorar função e recuperar força. A reabilitação costuma incluir:

  • Exercícios progressivos de fortalecimento
  • Mobilidade e controle motor
  • Fortalecimento da escápula
  • Correção de padrões de movimento
  • Reeducação para retorno às atividades e ao esporte

O progresso deve ser gradual e monitorado para evitar sobrecarga.

Outros recursos que podem ser indicados

  • Ondas de choque em casos de tendinite calcária
  • Infiltrações com corticosteroides para alívio rápido da dor intensa
  • Técnicas manuais e liberação miofascial

Cirurgia

Indicada principalmente em rupturas completas que causam perda funcional importante, em lesões traumáticas recentes ou quando o tratamento conservador não apresenta melhora significativa.

Após a cirurgia, a fisioterapia é fundamental para recuperação total da mobilidade e força.

Prognóstico

Grande parte dos pacientes melhora significativamente com fisioterapia adequada. Entretanto, idade, tamanho da lesão e presença de comorbidades podem influenciar o tempo de recuperação.

Buscar atendimento precoce evita que a lesão progrida e aumenta as chances de recuperação completa.

Quando procurar ajuda?

Se a dor no ombro está limitando suas atividades, provocando fraqueza ou persistindo por semanas, é indicado procurar avaliação especializada. Na clínica de fisioterapia esportiva, ortorpédica e recovery Eccentric Sports Science, no shopping Downtown na barra da tijuca, você encontra acompanhamento clínico completo, avaliação funcional e reabilitação baseada nas melhores evidências científicas.


Referências (PubMed / PMC)

  1. Oliva F et al. Epidemiology of the rotator cuff tears. 2014.
    https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4241421/
  2. de-Queiroz JHM et al. Exercise for rotator cuff tendinopathy: systematic review. 2023.
    https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9904825/
  3. Longo UG et al. Conservative vs surgical management for full-thickness rotator cuff tear. 2021.
    https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33419401/
    https://bmcmusculoskeletdisord.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12891-020-03872-4
  4. Boland K et al. Current concepts in rehabilitation of rotator cuff disorders. 2021.
    https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8082254/
  5. Song A et al. Risk factors for degenerative rotator cuff tears. 2021.
    https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9053296/

Canelite: a dor que pode te tirar da corrida.

Se você corre nas ruas — seja como hobby ou em busca de metas pessoais —, pode já ter sentido aquela dor chata na “canela”, ou seja, na tíbia. Essa dor, quando ligada à corrida repetitiva, está frequentemente associada à condição conhecida como canelite. Neste texto, vamos explicar, de forma acessível para quem não é profissional da área, o que exatamente é a canelite, por que ela aparece e como você pode evitá-la.

O que é canelite?

O termo “canelite” é popular e refere-se habitualmente à condição médica chamada Síndrome do Estresse Tibial Medial (MTSS, do inglês Medial Tibial Stress Syndrome). Trata-se de uma inflamação ou sobrecarga da região onde os músculos e tendões se inserem na borda interna da tíbia — o osso da canela —, ou de microlesões no osso causadas por impacto repetido.

Em corredores de rua, esse tipo de dor aparece com mais frequência justamente pela repetição das passadas e o impacto constante contra o solo.

Na prática, o corredor sente uma dor que costuma surgir durante ou logo após o treino, localizada ao longo da borda interna ou póstero-medial da tíbia. Muitas vezes ela melhora com repouso, mas, se o treino for retomado sem ajustes, a dor volta e pode até se intensificar.

Por que a canelite aparece em corredores de rua?

A corrida é uma atividade de impacto repetitivo, o que significa que, a cada passada, a perna absorve forças significativas — e, se o corpo, os ossos ou os músculos não estiverem adaptados, isso pode gerar sobrecarga.

Entre os principais fatores que favorecem o surgimento da canelite estão:

• Aumento rápido no volume ou na intensidade dos treinos: por exemplo, passar de poucas corridas por semana para muitas, ou de corridas curtas para longas, sem dar tempo de adaptação.

• Superfícies muito rígidas ou com pouco amortecimento, como asfalto ou concreto, que transmitem mais impacto à tíbia.

• Tênis inadequados ou já desgastados, que não amortecem nem estabilizam bem a pisada.

• Biomecânica desfavorável: pés que pronam demais, arco muito baixo ou muito alto, fraqueza nos músculos da panturrilha ou dos músculos de suporte do pé e tornozelo.

• Pouco fortalecimento ou falta de variação nos treinos: treinar sempre no mesmo tipo de solo, sem variar e sem dedicar tempo ao fortalecimento muscular, pode deixar a tíbia mais vulnerável.

Quais são os sintomas?

Os principais sinais de que pode haver canelite são:

• Dor difusa ao longo da borda interna ou póstero-medial da tíbia, geralmente em uma faixa de vários centímetros — e não em um ponto único e bem definido.

• Dor que aparece durante o treino, nos minutos finais ou logo após, e que alivia em repouso, se o treino for interrompido ou adaptado.

• Sensibilidade ao toque na borda da tíbia — ao pressionar a região da canela, pode haver desconforto.

• Nos casos mais avançados, a dor pode surgir logo no aquecimento ou até em atividades simples, como caminhar ou subir escadas.

• Importante: se a dor for muito localizada, intensa, persistente ou vier acompanhada de inchaço ou alteração de cor, pode haver uma fratura por estresse — e é necessário investigar com um profissional.

Como prevenir a canelite?

Boa notícia: com planejamento e cuidado, você pode reduzir significativamente o risco de canelite.

Veja as recomendações práticas para corredores de rua:

1. Planeje o volume e a progressão dos treinos de forma gradual. Evite pular de 0 para 20 km/semana em poucos dias.

2. Use um tênis adequado ao seu tipo de pisada, terreno e necessidade de amortecimento. Verifique a vida útil do calçado — após muitos quilômetros, o amortecimento se degrada.

3. Varie o terreno e a superfície: sempre que possível, inclua treinos em terra batida, pista ou grama, além do asfalto. Isso dá alívio aos ossos e músculos da tíbia.

4. Incorpore treino de fortalecimento muscular: trabalhe panturrilhas, músculos do pé, tornozelos e quadril. Isso melhora a absorção de impacto e reduz a carga direta na tíbia.

5. Mantenha uma boa técnica de corrida: cadência, postura e controle da aterrissagem do pé são fundamentais. Uma boa técnica, aliada à biomecânica adequada, melhora o impacto global.

6. Respeite o descanso e a recuperação: treinar todos os dias no máximo volume, sem dar tempo para recuperação, favorece a sobrecarga. O descanso faz parte do processo de adaptação.

7. Monitore sinais iniciais de dor: se surgir desconforto na tíbia, não ignore. Reduza o volume, ajuste o tipo de superfície, revise o tênis e o treino. É muito mais fácil tratar no início do que precisar parar por semanas depois.

Para saber mais!

Você pode assistir ao vídeo que publicamos no Instagram com dicas práticas sobre canelite: https://www.instagram.com/reel/DLGCv5GywOz/?igsh=MWlhNXVtYXVsZmNmcQ==

Esse vídeo complementa bem o que vimos aqui.

Referência científica

Newman P, Witchalls J, Waddington G, Adams R. Medial Tibial Stress Syndrome in Novice and Recreational Runners. International Journal of Environmental Research and Public Health, 2020. PMID: 33066291. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24379729/